
Devo eu dizer que minhas memórias inventadas são mais reais que os amores que eu tive. Na verdade não tive muitos amores, sou uma pessoa bem, muito, reservada. Os amores que em minha cabeça aconteceram sempre foram mais fortes do que os reais. Sou complicada. Talvez já tenha perdido chances de amar e de ser amada por fechar portas muito mais rápido do que elas foram abertas. Podemos errar milhões de vezes, até mesmo por que só se encontra um amor apenas uma vez. Como saber que esse amor é o certo? Nunca saberemos, cabe a nós fazer dos amores os certos e que eles durem enquanto durar, dentro de nós, dentro dos amores, até mesmo fora de nós. O importante é que as pessoas com as quais nos relacionamos sejam felizes, do nosso lado, ou do lado de outrem, mas que sejam felizes onde estiverem. Isso é amar para além das fronteiras, amor puro e sem egoísmo. Abrir mão da posse para ver a pessoa que amamos ser feliz é difícil e dolorido, talvez como apenas seres humanos, demasiado humanos, isso não seja possível e para acontecer tenha que ser exercício de vida diário. Falar sobre amor, amar, é de certo modo complicado pois já não sabemos o que é amar. Alguns diriam que amar é ter o outro, mas para tê-lo seria necessário incorporá-lo, comer da sua carne como diria Fernando Pessoa. Pode ser que amar seja gostar da diferença no outro de tudo aquilo que não somos, mas também pode ser muita coisa e nada. Pode ser apenas gostar do jeito com que o outro sorri, do jeito com que a pessoa amada fica na ponta dos pés, do seu sorriso ao café da manhã, do jeito com o qual ela pode balançar a cabeça ao ouvir uma música. Amar pode estar mais ligado ao gesto simples e espontâneo e que somados constroem um grande amor. Para amar é preciso se entregar e ir deixando o passado, e os fantasmas para trás, e começar um lindo sonho novo, pode ser possível até mesmo recomeçá-lo...